existencialismo de uma manhã sem vontades

minha vontade dorme e acorda bem tarde

e o tempo passa rápido me sinto sem espaço nem mesmo para um passo

então eu não faço

enquanto fico doida velha e boba corro sempre para o espaço

ao passo dessa tarde que passeia eu só queria ser um pássaro

sem noção da minha expectativa de vida e usando muito mais os braços

De olho aberto e atento

Me vejo sonhando

Cambaleando nas ruas do centro

Mas eu nem sinto o centro

Nem sinto o meu centro

Sem centro

(seiscentos) 

A vida evita Vitória:

Cidade-ancestralidade da minha derrota

Campo do amor pouco

E louco

Tudo nessa cidade

Evita a minha arte

Tentei fugir mil vezes

Mas o karma como chiclete 

Me grudou no chão da BR

Por toda essa falta eu sou até grata

De saber que do outro lado 

Ainda há o que me agrada.

O fim de semana foi chuvoso, mas no domingo a noite fez sol. Então me levantei e fui até a praia catar conchinhas. Fui porque lembrei de uma vez que escrevi que surgem diferentes tipos de conchas na praia depois que chove muito. Então fui checar. Acabou que quando eu cheguei na praia as conchinhas continuavam as mesmas de sempre, iguais as da semana passada. Mas eu ví uma meia-barata enterrada na areia, algo que achei bem diferente. Até mesmo pra praia de Camburi, que tem uma usina de ferro na frente. Não era uma barata albina, era uma barata normal mesmo, castanha. Eu tirei uma gelatina que trazia no bolso da calça-jeans para ver se acontecia algo, mas ela estava lá, fria, estática, parecia que tinha se afogado e sido arrastada até a beira do mar, assim como o resto das conchas. Se aquilo na verdade fosse uma concha, seria realmente uma concha diferente. Mas era só uma barata afogada, eu acho.

eventualmente me pego pensando:

“porque tal pessoa não manda mensagem?”

daí sempre me questiono:

“porque não mando eu?”

“-porque eu não tenho nada pra falar.”

e consecutivamente:

“ah sim, agora eu entendo a pessoa.”

 

~~

mas,,,,,,

porémmmmm,,,,,

se me mandasse um bom dia,

um “oi tudo bom?”

eu falaria

sobre o grupo da família

sobre a cor do presunto

inventaria mil assuntos

“o céu mudou de cor”

“meu primo é burro”

“escrever com a mão é melhor, mas digitar é mais rápido”

“você tem que ver a cadeira que minha mãe comprou”

mandaria o meme do micróbio do caralho

falaria sobre meu costume de fazer coisas fofas SEM QUERER

(que confusão)

e do medo das minhas músicas soarem

como as da Clarice falcão

eu poderia falar de qualquer coisa

 

as vezes só basta um oi ou um bom dia

pra ser bombardeado por minhas epifanias

 

já era tempo, hora e lugar

de encontrar alguma coisa pra sonhar

alguma onda pra gastar

alguma conta pra prestar

~

meu ser (patinho feio)

não orgulha a ninguém

mas crescer vai ser um barato

e minhas asas já não são de pato

~

um pouco de esforço no ponto certo

limpam os canais que me conectam

sonhando estou

e sonhando vou

largando minhas penas

para o voo

9 de março

hoje sonhei com uma reação química

entre dois elementos

que quando se tocavam

geravam calor intenso

mas rapidamente esfriavam

meu subconsciente, muito mais inteligente

me deu a sensação tátil

da reação pela nossa relação

 

esse sonho todo me lembrou um dia, bendito dia com matheus capucho

quando ele me apresentou nick cave e me falou sobre uma letra de uma música dele

que também falava sobre uma reação entre partículas

mais especificamente que quando duas partículas idênticas se chocam, elas se expelem numa distância enorme.

eu nunca encontrei essa música de fato, mas suspeito de que ele estivesse falando de higgs boson blues